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Porque a democracia é o lado certo da história!

Eu acredito que uma das grandes conquistas da jovem democracia brasileira, construída com o sangue, o suor e o coração de muitos, milhares e milhões, tem sido a afirmação da diversidade como um dos valores fundamentais para a edificação de um país, de fato, inclusivo e respeitador pleno dos direitos humanos.

Pois é esse caminho de construção da história, valorizado recentemente com a eleição de um operário e de uma mulher (a primeira), para a Presidência da República, até pouco tempo capaz de demonstrar amadurecimento em termos políticos e sociais, que está, agora, sob feroz ataque.

Cruel e destruidor, como alvo de um artefato bélico, impulsionado a partir de interesses escusos e nebulosos, originados, primeiramente, na Câmara dos Deputados, comandada pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB), e nesse momento, no Senado, de Aécio Neves (PSDB) e companhia.

Esse movimento, de extremo conservadorismo, precisa ser combatido à exaustão, sob pena de instalar, de vez, no Brasil, um retrocesso jamais visto, em prejuízo a um povo desprovido de direitos os mais elementares.

Não acredito que seja esse o destino preparado para todos nós, que formamos uma Nação rica, graças à confluência de raças e culturas diversas. E o destino, sim, ele nos serve para reservar grandes desafios, como é a vida da nossa presidenta, Dilma Rousseff.

Numa sociedade civilizada, todas as manifestações de abuso contra o segmento feminino devem ser severamente condenadas e punidas. Como deve ser condenada a truculência a que foi submetida a presidenta Dilma, sabatinada pelos senadores da República numa longa sessão de julgamento de seu processo de impedimento.

Olhando e vendo o que acontece no Senado, transformado, nos últimos dias, e especialmente nas últimas horas, no centro das atenções da sociedade brasileira, o que vejo, a cada manifestação de maioria de seus integrantes, é a disseminação das mentiras e do desamor ao Brasil que coleciona inúmeras riquezas naturais, dotado de uma economia diversificada, perniciosamente colocado sob cobiça das potências internacionais, vorazes no domínio e exploração do petróleo e seus derivados.

O interrogatório a que é submetida a presidenta Dilma é ainda mais revelador da estratégia do movimento conservador, formado por uma classe política descompromissada com a nossa jovem democracia, com amplo apoio da mídia golpista, e do Poder Judiciário e de forças policiais, que atuam de forma semelhante ao funcionamento dos regimes de exceção, das ditaduras militares.

Com o avanço dos gestos, agressivos, sem nenhum amparo na legalidade do arcabouço jurídico, perpetrado por senadores, prepostos de juízes, eu começo a entender como tiranos massacraram tantos inocentes ao longo da história. Tanto assim que, quanto mais a presidenta Dilma fala e responde, no Senado, mais evidente fica o golpe aplicado contra o Brasil e seus filhos e filhas. E o pior: diferentemente do golpe de 64, este, de hoje, tem um caráter antinacional. De fato, de entrega do país…descaradamente ainda mais nefasto!

Ah, quantos abusos, quanta desfaçatez, quanta hipocrisia… Por que será que eles não admitem a vitalidade e a importância da contribuição do Partido dos Trabalhadores ao país, que, desde a ascensão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, promoveu uma pacífica revolução social, que, pela primeira vez, em mais de 500 anos, colocou a inclusão dos mais pobres e o combate à desigualdade no centro da agenda nacional e mundial?

Uma notável contribuição ética e civilizatória, com as conquistas das áreas sociais, da educação à moradia, e assim libertando da fome e da miséria, o que permitiu a distribuição do conhecimento e melhor compreensão da realidade, dos direitos de escolhas, da luz nos rincões, campos e construções, e assim libertando da fome e da miséria, cerca de 36 milhões de pessoas, e provando que o país podia crescer em benefício de todos.

Ao invocar o argumento de que o ódio dos conservadores ao PT não é causado por nossos erros políticos, mas por causa dos nossos extraordinários acertos sociais, que contrariaram interesses poderosos e desafiaram preconceitos seculares, com respeito e admiração eu recorro ao destino reservado à presidenta Dilma, pelas suas próprias palavras: “O destino me reservou grandes desafios: a dor indizível da tortura, a dor aflitiva da doença. Agora, a dor inominável da injustiça. Mas olho pra mim e vejo uma face, que, mesmo marcada pelo tempo, ainda tem forças para lutar pela democracia. Porque a democracia é o lado certo da história”.

No Brasil e no mundo, nós, mulheres, temos muito a conquistar pela defesa intransigente da humanidade. Nós podemos!

Ana Perugini é deputada federal pelo PT/SP, coordenadora-geral da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos Humanos das Mulheres e 2ª vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. É também responsável pelas frentes parlamentares em Defesa da Implantação do Plano Nacional de Educação e de Promoção e Defesa da Criança e do Adolescente, no Estado de São Paulo, e integrante das comissões de Educação, Constituição e Justiça e de Cidadania, Licitações, e da Crise Hídrica
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