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O papel de transformação social dos institutos federais

Em abril, visitei as obras do Instituto Federal de Tecnologia que está sendo estruturado no Jardim Satélite Íris, em Campinas. Sou integrante da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados e é meu dever acompanhar as ações nessa área, em minha região, como nas demais que compõem esse imenso e belo Estado de São Paulo.

Com isso, tenho prazer especial em visitar esses locais como cidadã brasileira, que cada vez mais acredita que o único caminho para o país superar seus desafios é, de fato, a educação. Parece uma frase feita, que muitos repetem, mas não há como não reiterar isso, pois o que tem havido é uma longa distância entre discurso e realidade, quando se fala em educação no nosso país.

Todos falam de sua importância, mas são poucos os que fazem algo. E nesse sentido não há como não falar do que os governos Lula e Dilma fizeram pela educação brasileira e, sobretudo, na área do ensino técnico.

A expansão da rede de institutos federais nesses governos foi impressionante. Entre 1909 e 2002, foram abertas 140 unidades. Somente de 2003 a 2010, foram 214 novas unidades e, de 2011 a 2014, mais 208, chegando a 562 escolas técnicas ao final daquele ano.

A descentralização desse modelo educacional, muito bem sucedido do ponto de vista da qualidade do ensino, foi marcante para as regiões menos desenvolvidas do país, como Norte e Nordeste, mas, importante reafirmar, Centro-Oeste, Sudeste e Sul também foram contempladas. A intenção era estimular o desenvolvimento e esse foi o caso da localização do Instituto Federal no Jardim Satélite Íris, em Campinas.

Este é um dos bairros com maior vulnerabilidade social na rica Campinas, 11º PIB municipal no país. Durante muitos anos, o Satélite Íris sediou o lixão da cidade, que tem, portanto, uma dívida histórica com o bairro. Apenas recentemente, contudo, as redes de esgoto e pavimentação chegaram ao Satélite Íris e adjacências, que ainda têm muitos desafios a superar.

É neste cenário que o instituto, quando for inaugurado, será de enorme importância para alavancar o desenvolvimento nessa região campineira. O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (nome oficial da instituição) já funciona na prática, com aulas ministradas no Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), na rodovia D. Pedro I, em Campinas. Seria então muito desejável que, quando as obras do instituto propriamente dito estiverem concluídas, não fosse simplesmente fechada a unidade no CTI.

O ideal é que a unidade prossiga, atendendo a uma demanda específica da região onde está instalado, no distrito de Barão Geraldo. O adequado é que, com a inauguração do campus no Satélite Íris, sejam abertos novos cursos e turmas, para atender a essa região que tem um perfil diferente, em especial, com mais significativa densidade populacional, A benefício de Campinas e dos nossos jovens, que sejam, então, mantidos os dois pólos de educação pública.

É essa linha que acredito seja mais apropriada para o futuro do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo. E que continue com sua missão cada vez mais fortalecida de promover a excelência no ensino público, com atuação prioritária na oferta de educação tecnológica. O conhecimento científico e tecnológico avança muito rápido, e o Brasil precisa buscar mais rapidamente a sua autonomia nesse campo estratégico.

 

Ana Perugini é deputada federal pelo PT-SP, membro da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados e coordenadora, no Estado de São Paulo, da Frente Parlamentar pela Implantação do Plano Nacional de Educação (PNE)

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