Artigos

O lado do golpe é o lado da opressão!

A tarde de 26 de outubro de 2014 é um grande marco da história brasileira. Dia de muitas revelações, das manifestações de carinho e de raiva de uma sociedade que se apresenta desigual na sua estrutura social e econômica ao longo de 516 anos. Uma data em que as instituições, que desejamos fortes e democráticas, entraram em contradição, por interesses nem sempre éticos, nem sempre tocados pelos valores do que é coletivo e puramente público.

A reação foi dura e covarde ao Partido dos Trabalhadores, que nasceu para ser diferente. E foi, e assim tem sido, porque sua contribuição ao país é concreta, evidente, inegável, a ponto de obter 54.501.118 votos. E aí surge a pergunta que não quer calar: quanto vale a soberania de um povo?

Ao assumir o compromisso de tirar o Brasil do Mapa da Fome das Nações Unidas, de promover o mais arrojado programa habitacional já realizado e de incluir mais de sete milhões de jovens nas universidades, amparados por meio de financiamento estatal, conseguiu implantar um novo modelo de desenvolvimento, baseado na solidariedade social e combater com tanto sucesso a pobreza e a exclusão. Uma notável missão ética e civilizatória, que levou a população brasileira a atingir um patamar inédito de dignidade e cidadania.

Essa revolução dos números da inclusão social, em tão curto espaço de tempo, a rigor de 2003 para cá, comandada por um migrante, líder operário, e reafirmada por uma mulher forjada na resistência democrática, uma sobrevivente dos porões da ditadura, é que vem sendo, indiscutivelmente, sendo atacada pelo que conhecemos de massacre político e midiático.

Atacam, nas pessoas de Lula e Dilma, seu significado e símbolo: a emancipação dos pobres e esquecidos. A reflexão a respeito desse movimento de natureza golpista – altamente seletiva e que brota e viceja dentro das instituições, judiciais e policiais – encontra adeptos na Câmara dos Deputados, a mais conservadora que se tem notícia, desde a presidência do deputado, hoje afastado, Eduardo Cunha.

Desnecessário falar da motivação de Cunha, inconformado pelo fato de a bancada do PT ter defendido sua cassação, em processo que, ainda hoje, se arrasta na Comissão de Ética da Casa. Desnecessário dizer que a “vingança” tinha raízes mais profundas na história, quando Dilma estancou a dominância de Aécio/Cunha de Furnas.

Em tons diferentes, há muitas hipóteses a serem levantadas para o surgimento e a radicalização desse movimento golpista no Brasil. Um golpe de Estado em curso – porque impeachment sem prova de crime é, de fato, golpe. Em recentes gravações, o senador Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, escancararam a fraude e a trama para impedir Dilma.

Algo de estranho e perceptível, que chama a atenção para dois pontos, que, na visão social do PT, têm o poder de contrariar os interesses poderosos dos golpistas: a adoção do Plano Nacional de Educação (PNE), ainda mais fortalecido pela proposta de condicionar investimentos da ordem de 75% dos royalties do Pré-Sal, uma decisão do governo democrático da presidenta Dilma, diuturnamente bombardeada pelo senador José Serra, que prefere abrir a exploração das nossas riquezas naturais às petrolíferas estrangeiras em prejuízo da Petrobras, que deixa de ser a única operadora do sistema, esse um segundo ponto que deve ser evidenciado.

A cara do golpe não admite ensino público de qualidade aos segmentos mais humildes da população. Não admite o projeto de uma “pátria educadora”. O rosto do golpe até hoje está amarrado ao conceito da Casa Grande, para quem tudo pode, e da Senzala, à qual seu destino já nasce traçado: trabalhar muito, usufruir da riqueza gerada pelo labor, não! A cara do golpe não reconhece o conceito de que educar é amar, educar é libertar!

Quando Dilma e o ex-presidente Lula foram vítimas de uma escuta telefônica ilegal, e também ilegalmente vazada para a mídia, evidente que eles foram duramente expostos pela gravação.

Aquela conversa Dilma-Lula em nada trazia a profundidade e a clareza solar dos trechos da gravação de Jucá com Machado, que é revelador do golpismo que encobre o processo de impeachment da presidenta Dilma. Como também é revelador de nomes de políticos colocados sob suspeição em casos de corrupção, coincidentemente todos eles faziam forte oposição à presidenta.

Certa está Dilma, ao afirmar que a história vai mostrar como o fato de ela ser mulher fez dela uma pessoa mais resiliente, mais lutadora, neste momento que assistimos à quebra da democracia no país. Ao contrário, Dilma, que venceu, desde jovem, as torturas, em nome da democracia, acaba de reforçar a Educação como instrumento verdadeiro de transformação da sociedade brasileira, com o anúncio da inauguração de quarenta novos campi e a criação de cinco novas universidades federais, que vão se juntar às 63 unidades educacionais até então existentes. Com isso, o governo federal consolida um movimento de cunho revolucionário, idealizado e implantado sob a liderança do PT.

Com a postura de aumentar sistematicamente, ano a ano, os investimentos na área, o governo do PT, desde o presidente Lula, invocou a participação popular e das entidades educacionais no processo de construção das políticas públicas. Demonstração cabal de quem tem lado no conteúdo e na forma, invariavelmente a serviço do coletivo, por um Brasil de todos!

Todo este projeto que visa superar o atraso educacional em nosso país está sob risco de ser extirpado pelo projeto neoliberal em curso. “Se você é neutro em situações de injustiça, você escolhe o lado do opressor”. Esse alerta de Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz de 1984, é revelador: o PT tem lado. Nunca, nunca, o lado do opressor!

Ana Perugini é deputada federal pelo PT/SP e coordenadora-geral da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos Humanos das Mulheres, além de 2ª vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. É também responsável pelas frentes parlamentares em Defesa da Implantação do Plano Nacional de Educação (PNE) e de Promoção e Defesa da Criança e do Adolescente, no Estado de São Paulo, e integrante das comissões de Educação, Constituição e Justiça e de Cidadania, Licitações, e da Crise Hídrica na Câmara dos Deputados
Notícia anterior

Golpe escancarado

Próxima notícia

Deputada federal Ana Perugini participa de debate sobre a cultura do estupro na TV Câmara