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HC da Unicamp: socorro ao corpo e à alma

Se tem um momento que nos aproxima como seres humanos é o momento da dor. Não importa idade, classe social, cor ou credo, na hora da dor, percebemos que somos feitos da mesma matéria, sofremos os mesmos males e dependemos da mesma coisa: profissionais que cuidem das nossas mazelas, que nos ajudem, que nos curem. Seja atendimento em hospital particular ou público, todos nós queremos voltar para casa restabelecidos.

Isso porque o direito à saúde é um direito básico do cidadão, preconizado pela nossa Constituição, que diz que “Saúde é um direito de todos e dever do Estado”. E foi nesse contexto que surgiu o Sistema Único de Saúde – SUS, para universalizar o acesso à saúde, sem discriminação, de maneira integral e gratuita para toda a população do país, desde a gestação e passando por toda a vida.

Em 1999, com o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar e o projeto de humanização do SUS, o Estado declarava que não bastava oferecer à população atenção básica em saúde; era preciso que esse atendimento fosse humanizado, prestando uma assistência mais ágil e eficaz aos usuários do SUS, mas também oferecendo melhores condições de trabalho aos profissionais que integram a rede.

É nesse contexto que gostaria de falar um pouco sobre o trabalho do hospital que é referência para mais de seis milhões de habitantes de Campinas e região, o Hospital das Clínicas – HC da Unicamp. O número de pessoas que dependem deste hospital é maior do que a população de muitos países, e o trabalho realizado ali é referência em saúde não apenas no Estado, mas em todo o país.

Há décadas, conheço e acompanho o trabalho do HC. Sei da seriedade e respeito com que tratam os milhares de usuários que circulam naqueles corredores em busca de alívio para a dor e cura. Sei que, mesmo sendo um dos maiores complexos hospitalares do país, com mais de 500 mil atendimentos por ano, a equipe tem a sensibilidade de entender que o paciente (e seu familiar) chega fragilizado e que o acolhimento inicial, de modo humanizado, é fundamental para o seu tratamento e recuperação.

Desde 99, o HC da Unicamp implementa o atendimento humanizado e este respeito para com os usuários é o mesmo aplicado entre os membros da equipe de quase três mil profissionais, distribuídos nos mais diversos setores e especialidades, que atuam juntos para formar uma compreensão integral e compartilhada do paciente e da sua família, tornando o atendimento melhor, mais efetivo e com menos perdas.

O HC da Unicamp está hoje entre os hospitais que mais realizam transplantes no país. Mas o que é uma boa notícia para quem está numa fila de espera por um órgão, é uma notícia trágica para a família do doador. E só é possível ter a compreensão da família com a importância da doação, se desde o acolhimento esta mesma família perceber o respeito no trato e a importância com a vida daquele familiar enfermo.

Mas estes números seriam apenas números se eu não soubesse que um familiar quando chega ao HC da Unicamp – muitas vezes no desespero de ter peregrinado por outros locais sem uma resposta para sua dor, na emergência de ter saído de casa às pressas, desprevenido, enquanto espera seu ente querido que já passou pela triagem, exames e internação – é recebido com um pão com manteiga e um chá quentinho, enquanto aguarda os resultados e o médico vir conversar sobre o estado de saúde do familiar enfermo.

Esse chá quente aquece o corpo e a alma de quem espera por notícias. Parece pouco, mas esses gestos, esses cuidados são um modo de dizer que o saber científico do médico e a burocracia das instituições de saúde (que muitas vezes fazem com que um paciente que espera há 15 dias por uma consulta não seja atendido porque o cartão está com endereço de outro bairro) não são maiores do que o respeito ao próximo, à sua vida, à sua saúde e à sua família.

Esse atendimento humanizado nos aproxima, usuários, profissionais e cidadãos pagadores de impostos, e nos torna guardiões de uma mesma premissa: a “Saúde é um direito de todos e dever do Estado”. E já que deve ser prestada, que seja bem feita, de modo humanizado, para que nossa dor seja amenizada e curada e assim tenhamos garantido nosso direito, nossa cidadania e dignidade.

Ana Perugini é deputada federal pelo PT/SP e integrante da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados

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