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FORTALECIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR É SAÍDA PARA ALIMENTAÇÃO E CRISE DAS CIDADES

A Organização das Nações Unidas (ONU) tomou uma decisão que diz respeito diretamente ao Brasil, ao considerar 2014 como o Ano Internacional da Agricultura Familiar. O objetivo das Nações Unidas é que o Ano Internacional chame a atenção do mundo para a importância da agricultura familiar, em um momento de demanda crescente por alimentos. Calcula-se que nos próximos 20 anos será necessário aumentar a produção de alimentos em 70%, para atender a uma população que chegará aos 8 bilhões em 2030.   Para o Brasil, o fortalecimento da agricultura familiar representa ganhos múltiplos, em várias dimensões. Apesar de ocupar somente 24,3% das terras em mãos privadas no país, a agricultura familiar é responsável pela maior parte da produção de alimentos no país. Ela é responsável por 87% da produção de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 21% do trigo, 58% do leite, 50% das aves e 30% dos bovinos.   Apesar dessa enorme contribuição da agricultura familiar, os maiores incentivos continuam sendo fornecidos para o agronegócio. O Ano Internacional da Agricultura Familiar, em 2014, será então momento precioso para sensibilizar a sociedade brasileira para a situação dos pequenos e médios agricultores, que necessitam mais créditos, assistência técnica e mercados, para possibilitar a venda direta ao consumidor. E claro que nesse âmbito também incluímos os assentamentos de trabalhadores rurais, como o Reunidas, em Promissão, um exemplo de organização, de planejamento e olhar para o futuro e que inclui uma crescente produção de orgânicos.   A consolidação da agricultura familiar é essencial para a melhoria das condições de vida no meio rural brasileiro, onde ainda se concentram enormes desafios. A zona rural continua sendo a mais excluída e empobrecida no Brasil.  O maior número de analfabetos proporcionalmente está na zona rural (cerca de 5 milhõesde pessoas que moram no campo são analfabetas, ou 23,18% das pessoas com mais de 15 anos; 59% dos que vivem na zona rural não concluíram o ensino fundamental), onde é enorme a carência em saneamento e outros serviços básicos. Nos últimos cinco anos, 14 mil, de 76 mil escolas na zona rural, foram fechadas.   Mas um estímulo maior à agricultura familiar também terá impacto direto na vida das cidades. O modelo de crescimento das cidades, resultante dos grandes interesses capitalistas, tem sido absolutamente destrutivo. Caos no trânsito, proliferação de moradias inadequadas, esgoto correndo a céu aberto e ondas de violência são algumas faces do inchaço urbano.   O Brasil foi abençoado com uma vastidão de terras férteis. Não tem sentido milhões de brasileiros se espremerem cada vez mais em cidades sem verde, sem áreas suficientes para lazer e convivência, se é possível reverter o êxodo rural com medidas para o incremento da agricultura familiar. Já existem iniciativas nesse sentido, mas é possível fazer muito mais. O predomínio do urbano sobre o rural, inclusive como estilo de vida, não é sustentável a médio e longo prazos.   A urbanização foi muito rápida no Brasil. O afastamento de milhões de brasileiros de suas origens, de suas raízes culturais, foi um crime contra várias gerações, e essa foi a fonte de muitos problemas graves nos grandes centros urbanos. A agricultura familiar é uma saída e uma solução. Nesse sentido, como numa virada de página, que a riqueza, da forma como é encorajada nas áreas urbanas, também possa ser incorporada à vida de quem faz cultura e gera produtividade em nome do campo, desse imenso e belo Estado de São Paulo! – See more at: http://anaperugini.com.br/artigos/fortalecimento-da-agricultura-familiar-%C3%A9-sa%C3%ADda-para-alimenta%C3%A7%C3%A3o-e-crise-das-cidades#sthash.KXgKzBC6.dpuf

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