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Corte no Bolsa Família: mais um golpe contra o povo

Na última terça-feira (24), de forma traiçoeira, o governo Temer anunciou o corte de mais de R$ 10 bilhões dos programas Bolsa Família, aposentadoria por invalidez e auxílio-doença. Assim, 5,7 milhões de pessoas foram atingidas: 5,2 milhões do Bolsa Família e 478 mil dos auxílios-doença e aposentadoria por invalidez.

O ataque ao Bolsa Família – mais um numa sequência de exclusões de milhões de famílias iniciada em 2016 – é mais um duro golpe na estrutura de combate à fome do nosso país, montada em 2003 pelo presidente Lula, a partir da articulação de políticas públicas que resultou na criação do programa Fome Zero.

Com ele, o Brasil saiu do mapa da fome das Nações Unidas. Foi o ponto de partida para que 28 milhões de brasileiros saíssem da pobreza e 36 milhões ingressassem na classe média. Pessoas com o direito de se alimentar, se vestir, comprar medicamentos e caderno e lápis para seus filhos; geladeira, fogão e televisão novos para sua casa. Esse aumento no consumo significou o sentimento de valorização de uma grande parcela da população que não era vista pelo governo brasileiro.

É todo esse avanço que está na pauta de desconstrução de Michel Temer e seus aliados. Ao anunciar o corte, o governo adiantou que quer cortar mais R$ 20 bilhões.

O corte no Bolsa Família, segundo o Planalto, foi feito para conter irregularidades no programa, mas sabemos que isso não passa de narrativa para vender austeridade ao mercado. É impossível que 5,2 milhões de pessoas – que correspondem a 10% do total de beneficiados pelo programa – estivessem irregulares. A maioria das pessoas precisam de assistência e atenção de programas governamentais. A fome não é uma invenção, é uma realidade.

O governo antipovo que congelou os investimentos públicos por 20 anos e tem cortado recursos da saúde, da educação, da agricultura familiar e uma série de programas sociais está, mais uma vez, repassando à população pobre a conta de uma gestão voltada aos ricos. Assim como fez ao criar o Ministério Extraordinário da Segurança Pública (lei 13.690/18), gastando R$ 2,7 bilhões, valores que não serão contingenciados. Como também repassou para a sociedade a conta dos R$ 9,5 bilhões negociados com a greve dos caminhoneiros.

Um desgoverno que desde seu primeiro dia tem tomado atitudes que prejudicam os trabalhadores e as trabalhadoras do nosso país. Atualmente, a juventude está desmotivada a fazer faculdade ou curso técnico. As donas de casa não têm mais o mesmo poder de compra, a alta dos preços chegou à nossa cozinha e o desemprego voltou a atormentar a mente de milhões de pessoas.

Mas, apesar de tudo isso, não podemos perder a esperança. Devemos acreditar que o Brasil pode voltar a crescer, que o futuro de homens e mulheres depende da iniciativa de cada um de nós.

O Brasil precisa voltar a investir em políticas de promoção da inclusão social e produtiva. Juntos, vamos dizer não aos desmandos do atual governo e sua base aliada, que tem levado nosso país a altos índices de pobreza e insegurança. Somente a nossa atitude cidadã, de fazer valer nosso direito de ir às urnas e escolher o candidato que avaliamos ser o melhor para o Brasil, poderá dar novas cores a esse perverso quadro, pintado por pessoas que têm aversão ao nosso povo.

Ana Perugini é deputada federal pelo PT/SP.

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