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Coragem para realizar nossos sonhos

A poetisa goiana Cora Coralina dizia que “a verdadeira coragem é ir atrás de seu sonho mesmo quando todos dizem que ele é impossível”. Nossa trajetória na vida pública é um exemplo de que coragem e trabalho são capazes de alimentar sonhos e transformar lutas em conquistas.

A luta por água, esgoto e asfalto nos levou à política em 1983, em Hortolândia, cidade da Região Metropolitana de Campinas. Dos movimentos populares, sociais e da militância no Partido dos Trabalhadores, chegamos à Câmara Municipal em 2005 e, no ano seguinte, conquistamos uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo.

No Parlamento paulista, nos deparamos com muitos sonhos considerados impossíveis, como água tratada e o fim das fossas em Hortolândia, que somavam mais de 90 mil; o aumento da oferta de água aos municípios do interior paulista e a expansão do serviço de coleta e tratamento de esgoto no Estado; e a vacina gratuita contra o HPV, vírus que pode causar lesões e câncer.

Com muito trabalho e apoio de vereadores, prefeitos, moradores e entidades da sociedade civil, transformamos todos esses sonhos em realidade.

Outros, por sua vez, continuam sendo sonhados e alvo de muito trabalho. A compensação aos municípios que abrigam presídios, por exemplo, é uma luta que iniciamos em 2007 e segue em debate na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, onde ganhou dimensão nacional. Outra batalha que ainda travamos é por tarifas justas de pedágio, um tema por meio do qual mobilizamos o Estado de São Paulo e avançamos em políticas públicas de mobilidade urbana.

No primeiro mandato na Câmara Federal, fortalecemos nossa luta pela realização de sonhos antigos e ousamos sonhar com coisas novas, como a valorização do trabalho das donas de casa, que propusemos no projeto 7.815/2017, para que haja reconhecimento da economia do cuidado e possamos trazer à luz um trabalho que é a base da nossa sociedade.

Sonhamos acordados com a licença-maternidade para advogadas, para corrigir uma injustiça histórica que contrariava a Constituição Federal de 1988. Apresentamos o projeto de lei 2.959/2015 e, com ele, ajudamos a construir a lei 13.363/2016, que garante 30 dias de suspensão dos prazos processuais para advogadas autônomas e oito dias para advogados que se tornarem pais.

Quando propomos a criação do PIB da Vassoura e equiparamos as advogadas às demais categorias, por exemplo, estamos falando de políticas que nos mantenham no caminho da igualdade entre homens e mulheres. Políticas que se juntam a leis como a Maria da Penha, a do feminicídio e a regra que garante 30% do dinheiro do fundo eleitoral para candidaturas femininas, para que possamos aumentar a participação das mulheres na política e, assim, humanizar ambientes dominados pela ditadura das gravatas.

Temos um compromisso pela igualdade. Trabalhamos por distribuição de renda, universalização do acesso à saúde pública de qualidade, geração de emprego, escola pública, defendemos o combate à homofobia, ao racismo, as cotas étnico-raciais nas universidades e, acima de tudo, a transformação da escola em espaço de convivência, onde meninos e meninas aprendam a respeitar as diferenças, brinquem aprendendo e aprendam brincando.

Em meio a esse aprender e aos retrocessos impostos pelo governo antipovo que tomou o poder há dois anos, seguimos sonhando e lutando em defesa da previdência pública e dos direitos trabalhistas do nosso povo, dentro e fora do Congresso Nacional. E temos convicção de que podemos voltar a ser felizes de novo, com mais emprego, direitos e oportunidades, com Marinho governador em São Paulo e Lula presidente do nosso país.

Por acreditarmos que a riqueza do nosso país está no seu povo, tomamos a decisão de apresentar nossa candidatura à reeleição e contribuir para a construção de um Brasil mais justo e democrático, com um mandato que continue sendo instrumento de luta para que, no campo e na cidade, possamos continuar sonhando e conquistando. Afinal, segundo Guimarães Rosa, “a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

É disso que precisamos: coragem e muito trabalho. Vamos junt@s!

Ana Perugini é deputada federal pelo PT/SP, presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados e candidata à reeleição

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