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As mulheres reagem e propõem à sociedade a reflexão para conter os crimes de gênero

“É reagir ou reagir!”, conclama a deputada federal, Ana Perugini, ao hipotecar solidariedade a mais uma manifestação, que levou cerca de 2.000 mulheres ao Centro de Campinas, nesta quinta-feira, 5 de janeiro, em protesto contra a chacina de 12 pessoas de mesma família, fato registrado na travessia do Ano Novo na cidade. Em tom indignado, Ana avalia que combater os crimes de gênero, um flagelo que afeta a vida de milhões de mulheres, no Brasil e no mundo, é um caminho longo, que exige novas práticas e novos valores por meio da educação, a mobilizar todos os segmentos sociais. “Precisamos de cura”, adverte a deputada, que, em Brasília, é coordenadora da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos Humanos das Mulheres.

Com faixas e cartazes, em que pediam o fim da violência em geral, e da doméstica, em particular, a manifestação foi convocada pela Marcha Mundial das Mulheres, com o apoio de várias entidades representativas com tradição de lutas em defesa dos direitos do segmento feminino. A concentração, iniciada no Largo do Rosário a partir das 17 horas, ganhou a Avenida Francisco Glicério, depois tomou a Avenida Anchieta e somente terminou por volta das 20 horas, diante do Palácio dos Jequitibás, na Prefeitura Municipal.

Estabelecer uma nova cultura de respeito aos direitos humanos das mulheres é uma luta de longa data. Marca da trajetória da deputada Ana Perugini desde jovem, com forte atuação política nos movimentos sociais, na Câmara Municipal de Hortolândia, de 2005 a 2006; na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, de 2007 a 2014, e agora no Congresso Nacional. Em São Paulo, ao longo de oito anos, também coordenou a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Mulheres.

Sua maior preocupação: convencer o Governo do Estado a investir na implantação de uma rede de proteção social mais qualificada, com a disponibilização de todos os serviços multidisciplinares, que possam atender a todas as necessidades das mulheres. Com foco não somente no combate a todos os tipos de crimes, mas também na oferta de serviços de saúde e nas ações que promovam avanços profissionais pela geração de empregos e renda. Entre os objetivos de luta, a implantação de Delegacias de Defesa da Mulher para o atendimento 24 horas, e também a criação das Varas para o Enfrentamento da Violência, para por fim à impunidade, sob responsabilidade do Poder Judiciário, a quem cabe a decretação de medidas protetivas.

O caso que comoveu o Brasil

Afastado do convívio familiar, sob suspeita de comportamento inadequado com o filho de quatro anos, conforme denúncia levada à Polícia Civil e ao Ministério Público e Judiciário, um técnico de laboratório passou a fazer ameaças de morte à ex-mulher. Uma sucessão de fatos de natureza policial e criminal, que durou mais de quatro anos. Na virada do Ano Novo, o agressor invadiu a casa da ex-mulher e matou 12 pessoas da família dela. Entre as vítimas, a ex-esposa e seu próprio filho. Todos executados a tiros. Ele se matou, o que elevou para 13 o número de mortos.

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