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Ana Perugini vai propor criação da Semana Nacional das Doenças Negligenciadas

A deputada federal Ana Perugini vai apresentar um projeto de lei à Câmara dos Deputados que prevê a criação da Semana Nacional de Conscientização das Doenças Negligenciadas. O compromisso foi assumido na última sexta-feira (18), na Câmara Municipal de Campinas, durante debate sobre o tema.

O evento, promovido pela Associação dos Portadores de doença de Chagas de Campinas e Região (Accamp) e pelo mandato do vereador Pedro Tourinho (PT), reuniu o pesquisador Pedro Albajar Vinas, um dos responsáveis pela área de doenças negligenciadas da Organização Mundial de Saúde (OMS), médicos especialistas e representantes de associações que apoiam portadores e famílias.

“Vamos fazer um requerimento de informações ao Ministério da Saúde, questionando quais os medicamentos disponíveis para cada uma das doenças negligenciadas com casos no nosso país e onde eles podem ser encontrados. Assim, poderemos saber se são suficientes para atender os pacientes. Também queremos saber se há rede de apoio às famílias”, afirmou a parlamentar.

Ana já pediu um estudo à Consultoria Legislativa da Câmara Federal e acredita que, com as informações adicionais obtidas por meio do requerimento, será possível tomar medidas para chamar a atenção ao problema. “A partir desse estudo, nós podemos começar uma política para que a população tenha conhecimento do que está acontecendo. Mais importante do que dar visibilidade é descobrirmos o que já temos na rede [SUS] e o que podemos fazer para aumentar”, explicou a deputada.

O médico Pedro Albajar Vinas fez uma explanação sobre as doenças negligenciadas no mundo. Segundo ele, o número de patologias causadas por agentes infecciosos ou parasitas saltou de 17 para 21, conforme nova classificação apresentada durante a 69ª Assembleia Mundial da Saúde, realizada no ano passado, em Genebra, na Suíça.

Vinas enfatizou a importância de uma lei federal que exponha o problema. “Há um grupo de doenças que são reconhecidamente negligenciadas. Quando afirmamos que estão negligenciando, é porque temos instrumentos e medicamentos para controlá-las, mas não o fazemos”, explicou o médico da OMS.

Além de Pedro Albajar Vinas, da deputada federal Ana Perugini e do vereador Pedro Tourinho, compuseram a mesa de debates o presidente da Accamp, Osvaldo Rodrigues da Silva, e a assistente social Ana Maria de Arruda Camargo, que representou a Universidade de Campinas (Unicamp).

Também participaram da discussão membros da Associação dos Chagásicos da. Grande São Paulo (Achagrasp), da Associação dos Pacientes Portadores de Doença de Chagas, Insuficiência Cardíaca e Miocardiopatia de Pernambuco (APDCIM/PE), da Associação dos Familiares, Amigos e Portadores de Doenças Graves (Afag), do Conselho Municipal de Saúde de Campinas, além dos médicos Luiz Cláudio Martins e Cristina Carrazzone, que atuam nos ambulatórios de doença de Chagas da Unicamp e da Universidade de Pernambuco (UPE), respectivamente.

Doenças negligenciadas

A OMS classifica como negligenciadas as doenças causadas por agentes infecciosos ou parasitas, relacionadas, principalmente, à pobreza e à falta de saneamento básico. Elas são consideradas endêmicas em populações de baixa renda, especialmente em países da África, Ásia e América Latina, e contribuem para a manutenção da desigualdade social e econômica.

Segundo a agência, 1,6 bilhão de pessoas sofrem com doenças negligenciadas em todo mundo, sendo que 500 milhões são crianças. No Brasil, estima-se que 16 milhões de pessoas sejam atingidas pela doença de Chagas, teníase-cistecercose, dengue, chicungunya, leishmaniose, hanseníase, filariose linfática, oncocercíose, raiva, esquitossomose e geo-helmintíase.

As doenças negligenciadas estão entre as principais causas de morbidade e mortalidade, incapacitando milhões de pessoas em todo mundo. Juntas, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), elas causam entre 500 mil e um milhão de mortes todos os anos.

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